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CEO da Smoov admite prejuízo milionário e não descarta venda futura

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Empresário diz que, atualmente, empresa está no azul e critica desconfianças; especialistas dão dicas para fugir de problemas


Vivemos um boom de franquias. Atualmente, é possível encontrar várias opções de negócios que podem ser bons investimentos. Antes de embarcar nesse mercado, é preciso, primeiro, estudar bem onde colocar seu dinheiro.
Digo isso porque não faltam notícias de franqueados com problemas com seus franqueadores, a exemplo da Cacau Show e a Cresci e Perdi. Também digo isso porque chegaram as minhas mãos dados importantes de uma franquia que cresce no interior de SP e chega à região: a Smoov.
Inspirada no modelo norte-americano de smoothies e no sucesso de marcas como Oakberry, a rede brasileira de bebidas funcionais vem expandindo em ritmo acelerado e planeja presença internacional. A primeira loja foi aberta em abril de 2023 e, hoje, são 77 lojas em ao menos 5 estados.
Os números mostram, ao meu ver, uma estratégia arriscada porque o modelo de franquias pressupõe, em tese, que a empresa franqueadora possua um histórico de operação consolidado e comprovadamente lucrativo, capaz de transmitir segurança e know-how aos franqueados.
Arriscado porque os números indicam que a franqueadora não apresentou faturamento próprio nesse período inicial, entre 2023 e comecinho de 2024, acumulando prejuízo de aproximadamente R$ 1,5 milhão, ao mesmo tempo em que promoveu uma expansão acelerada de unidades em 2023.
O resultado operacional das lojas também demonstra fragilidade: de oito analisadas, a maioria encerrou no vermelho.
O CEO da marca, Leonardo Quintão, admite o prejuízo milionário, mas minimiza a situação. Diz que esse vermelho inicial nas contas ocorreu por conta da expansão e, desde de março de 2025, a empresa está no azul –assim como as lojas franqueadas. Apenas uma loja fechou as portas, diz.
“A empresa é saudável, dá dinheiro. Inclusive eu tenho que ficar negando o investidor dentro da minha marca. Eu tenho que ficar falando que eu não tenho interesse em ter investidor agora na marca.”
Para especialistas, um dos receios do mercado neste crescimento forte é uma expansão criada artificialmente para venda futura. Quintão nega a intenção de vender, por ora, e rebate as desconfianças do mercado. “Assim, a gente nunca pode vender nunca, né? A gente nunca sabe o que vai aparecer pela frente. Então é difícil você falar: ‘não vou vender, nunca.’ Mas no plano que a gente tem desenhado, não contempla a venda da marca.”
Já Marcelo Cherto, fundador e presidente da Cherto Consultoria, um dos fundadores da ABF (Associação Brasileira de Franchising), diz que quando a gente vê uma rede crescendo rapidamente, é preciso buscar entender os motivos desse crescimento –que pode ser, de fato, um risco.
“Eu sempre digo que gosto de número bom por motivos bons. O crescimento acelerado, por si só, não significa que haja problemas. Há redes que crescem muito rapidamente sem perder a solidez. Há outras que crescem por crescer. Conheci uma que tinha 10 ou 15 pessoas na área de expansão e apenas uma na área responsável por servir os franqueados. Nem preciso dizer que ela não existe mais.”
Ainda segundo ele, cada vez mais há negócios que já nascem com o intuito de serem franqueados. “Não vejo problema algum nisso. O problema está em não planejar adequadamente o crescimento e em não se estruturar para fornecer aos franqueados o suporte de qualidade de que necessitam para serem bem-sucedidos.”
O especialista em avaliações de riscos em franquias, Kelvin Kuri, CEO da Franchise Store, também diz que a expansão rápida, por si só, não é um problema. O que precisa ser analisado com rigor é se a franqueadora tem estrutura para sustentar esse crescimento sem comprometer a padronização, a entrega de suporte e a saúde financeira da rede (https://franquia.com.br/)
“O que sempre recomendo a quem está considerando investir em uma franquia é algo simples, mas extremamente poderoso: ligue para o maior número possível de franqueados, em diferentes regiões e contextos, e faça uma pergunta direta: Você compraria essa franquia novamente? Muitas vezes, é ali que você descobre se a expansão está sendo bem conduzida ou se virou apenas uma corrida por taxa de franquia.”
Ainda segundo ele, criar uma marca com o objetivo de franquear não é um problema. Alguns modelos, por suas características operacionais, nascem prontos para escalar via franquias.
“O erro não está em pensar na franquia cedo, está em vender franquias antes de estar preparado para transferir know-how com qualidade, padronizar processos, sustentar o suporte e comprovar a viabilidade financeira do modelo”, afirmou.
Ambos os especialistas falaram de forma geral.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Quintão e tire as suas conclusões. Não há motivos para duvidar do empresário e esperamos sucesso estrondoso para a marca. Mas, para o investidor, como dizia a minha avó: “cautela e caldo de galinhas não fazem mal a ninguém”.

Como é vender comida saudável no país do “morango do amor”? É um desafio?
Leonardo Quintão – Na verdade, acaba não sendo tanto um desafio, porque é um país com dimensão continental. Por mais que não tenha tantas pessoas indo à academia, cuidando do corpo, por mais que o mercado seja relativamente pequeno, acaba sendo um mercado grande pelo tamanho populacional do Brasil. E no pós-pandemia, no momento pandemia e pós-pandemia, muitas pessoas começaram a entender que se cuidar não é questão de luxo, é questão de necessidade. Isso acabou trazendo muito mais gente para dentro desse mercado, desse universo. Apesar do morango do amor ter explodido, ter hypado, tem muita gente ainda procurando se cuidar.
Recebemos aqui algumas informações de que tem um rumor no mercado sobre a expansão de marcas. Depois que elas expandem, acabam vendendo a marca. Com vocês isso procede? De expandir para pretender vender depois a marca?
Leonardo Quintão – Não. Assim, a gente nunca pode dizer nunca, né? A gente nunca sabe o que vai aparecer pela frente. Então é difícil você falar: ‘não vou vender, nunca’. Mas no plano que temos desenhado não contempla a venda da marca. O que contempla é fazer uma expansão forte nacional. Fazer uma expansão mais forte ainda internacional. Já começamos. Temos contrato assinado com Chile, com Portugal e Inglaterra. E seguir carreira aqui, tocar o negócio. Eu tinha 12 anos de mercado financeiro, meu sócio tinha 13 anos de Ambev (Vinícius Mastiguim). Pedimos demissão para tocar esse projeto. Então o foco não é vender, o foco é ficar à frente do projeto por muitos anos.

Tivemos acesso também a algumas informações que apontam alguns prejuízos com relação a 2023 e 2024, de que seria de mais ou menos R$ 1,5 milhão. Vocês teriam investido R$ 2,5 milhões, é isso? Como é que vocês trabalham com isso? Com o investimento, com a recuperação do investimento?
Leonardo Quintão – É que assim, quando você está em processo de expansão, de criação de marca e expansão. Quando você pega 2023 foi o momento que eu comecei. Eu não tenho como vender mais do que eu gasto para expandir. Esse prejuízo de R$ 1 milhão ele vem do dinheiro que eu gastei para construir lojas. Então o dinheiro foi investido no crescimento da marca. A empresa hoje é ‘breakvada’ e dá lucro. Você faz esse investimento para ele retornar em algum momento, ele não retorna em um mês. Se você não quiser isso, você coloca o dinheiro no banco e aplica no banco. Então você capitaliza, só que suas vendas não acompanham. Até porque o dinheiro que eu coloquei para abrir loja no ano de 2023, eu nem consegui abrir as lojas do dinheiro que eu coloquei na rua. Só que eu contabilizo em 2023. Em 2024, mesma coisa. Eu produzo as minhas frutas, né? Então toda loja que eu vou vendendo, eu tenho que produzir antecipadamente todas as frutas que eu vou vender para o meu franqueado. Você acaba tendo um certo prejuízo contábil quando olha o ‘botton line’, mas quando você vê os franqueados, todos estão tendo lucro, estão ganhando dinheiro, tendo payback em menos de um ano. Que é o que interessa. O que interessa é a saúde do franqueado. Uma franqueadora vive de saúde do franqueado. O sucesso da franqueadora vem posterior à saúde do seu franqueado. Todas as minhas franquias são saudáveis. Eu tive o fechamento de apenas uma franquia em dois anos e meio. Então meu crescimento líquido é exponencial. E os franqueados, eu tenho franqueados com três, sete lojas. Eu tenho vários franqueados com mais de duas lojas. Isso indica que o negócio é saudável e rentável para o franqueado. E a empresa encontra-se ‘breakvada’, dando lucro desde março de 2025.

A loja que fechou era onde?
Leonardo Quintão – Fechou uma franquia na Vila Olímpia.
Também recebemos informações que das nove lojas próprias, três fecharam no azul e as demais no negativo. Uma ainda não tinha receita. Hoje, como que elas estão? Elas se recuperaram? Elas já estão no azul?
Leonardo Quintão – Está tudo no azul, a empresa é ‘breakvada’.

Você não vê uma desconfiança do mercado com relação a vocês? Você acha que não existe? Que está saudável a franquia?
Leonardo Quintão – Eu desconheço a desconfiança do mercado de cima das ruas. Eu recebo uns 150 leads por dia de interessado em adquirir uma franquia. Eu sou o CEO da marca e faço reunião com todo mundo. A empresa é saudável, dá dinheiro. Inclusive eu tenho que ficar negando o investidor dentro da minha marca. Eu tenho que ficar falando que eu não tenho interesse em ter investidor agora na marca.

O planejamento da marca agora, para 2025 e 2026. Qual a expectativa para este ano e o próximo de lucro?
Leonardo Quintão – A expectativa é finalizar o ano de 2025 com 100 lojas. E o ano de 2026 com 220 lojas globalmente falando.

Que já incluiria fora do país também?
Leonardo Quintão – Sim.

Essa expansão seria para 2026?
Leonardo Quintão – Isso. Eu só acho estranho essas perguntas… Querer perguntar de desconfiança do mercado. Acho que quem está falando isso está um pouco desatualizado do mercado, né? Não sei o que é, mas eu acho que só entendi um pouco dessas perguntas aí. Mas é bem ao contrário do que acontece com a Smoov. O movimento está completamente ao contrário. Eu achei algumas coisas meio desconexas da realidade.

Qual o faturamento da Smoov em 2024 e projeção para 2025?
Leonardo Quintão – Eu não fico falando muito faturamento, mas…

Uma previsão…
Leonardo Quintão – Uma previsão de sell-out é de R$ 40 milhões em 2025.

De 2024, mais ou menos, você tem? Ou não pode dizer?
Leonardo Quintão – 2024 eu vou ser sincero que eu não tenho de cabeça, mas foi algo em torno de sell-out em 2024 de R$ 12 milhões. Sendo bem sincero.

A empresa sempre atuou como franquia? Ela já nasceu como franquia ou não? Era loja própria?
Leonardo Quintão – Nascemos com a ideia de ser uma franqueadora, mas nascemos com loja própria, porque você precisa fazer os testes e validar o negócio. Não adianta você terceirizar algo que você deveria estar fazendo se você nem sabe se vai dar certo. Isso é quase um crime. Então primeiro você precisa ter um modelo, testar esse modelo, replicar para ver se ele é replicável. Abrimos oito lojas próprias e depois mais duas. Acabamos abrindo dez lojas próprias. Continuamos com dez lojas próprias, mas sempre pensamos em escalar por meio de franquias. Fizemos tudo para ser muito fácil, muito replicável, tanto que hoje são 77 lojas no Brasil.

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Fernando Lorenzetti

Fenando Lorenzetti é Jornalista, profissional de mídia, colaborador dos mais importantes veículos de Imprensa do país. Fez sucesso com seu programa na Rede Bandeirantes de TV. Mantém contato diário, como informante, colaborador dos mais prestigiados articulistas e editores do país. Atua em redes sociais e desponta no mercado editorial, de revistas, com circulação no segmento de condomínios. Por 10 anos assinou uma página no jornal Diário do Povo, em Campinas, e página dupla central na revista Metrópole do Correio Popular. Atuou no Jornal da Cidade de Jundiaí e Jornal da região . Além de colaborador da Folha Sudeste, encarte da Folha e Veja Interior. Pilotou o programa de TV "Festa, com Fernando Lorenzetti. O jornalista também é corresponde de veículos internacionais.